C   redit
Já eram 2 da manhã do sábado. Seu sub-consciente dizia que ele não iria ligar. Talvez aquela tenha sido a gota d’agua. Primeiro uma discussão absurda por ciúmes, depois uma série de madrugadas esperando uma simples ligação dele, um simples telefonema, um simples gesto. Mas cara, nem um sms!? Nada. Nada que demonstrasse que ele ainda se importava, que mostrasse ou provasse que aquele relacionamento poderia sim ter futuro, ter desfecho. Mas o que lhe resta a fazer a não ser escrever e esperar? Escreve teus sentimentos e tuas angústias. Vomita palavras não ditas numa folha em branco. Rabisca tuas mágoas e tuas expectativas perdidas de todas essas madrugadas de espera. Faz um café, senta-te a mesa e escreve. Escreve porque se falar, ninguém entenderá. É assim que tentamos pôr nossos sentimentos em ordem, nossa cabeça no lugar.
Mas ora, veja só, o celular acaba de tocar.
Será que é ele? Extinta.  
Arrumei a cadeira onde sento, endireitei a coluna e agora tenho uma postura saudável. Meus olhos estão ardidos e causariam espanto se mais alguém além de mim pudesse vê-los. Passei a noite em claro e decidi lhe escrever. Estou me dando conta, nesse exato momento, de que sempre escrevi sobre você, mas nunca para você. E não estou dizendo que isso é uma reclamação sua, apesar de ser. O que acontece, afinal, é que não posso. Quando me ponho determinada a pensar em ti, e sobre ti escrevo, as coisas fluem. Porque você em sua natureza, é natural. As palavras dançam e me deixam escolhe-las. Os sentidos não se trocam e eu sempre sei exatamente o que dizer. Mas para você não há condições. Eu me embaralho, me perco, e acabo por me esconder diante de toda minha vergonha. Não me entenda mal, eu não tenho vergonha de você. O que me encabula muito, na verdade, é teu olhar me queimando. Teu riso contido e tuas bochechas coradas ao ler o que sinto. Porque eu tenho dificuldades em falar, mas quando escrevo posso fazer soar como quero. Eu não consigo simplesmente passar pra cabeça tudo aquilo o que tenho no coração. Não caberia, e não cabe a você ler. Porque escrever é muito fácil, mas o meu desejo é o de te fazer ver. Agora peço desculpas porque tenho sono. Não consigo lembrar o que disse na primeira linha desse texto, e nem mesmo lembrarei o que direi na última. Minhas pálpebras pesam agora. Talvez outro dia, querido. Talvez outro dia.
Casebre.  
Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura.
Charles Bukowski.  
Ele me conta das meninas, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta.
Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo.
O Amor, Tati Bernardi.
Há momentos em que a insanidade se torna tão real que não é mais insanidade.
Charles Bukowski. 
Você tem estado em meus pensamentos todos os dias.
Paris 1995. 
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.
— Manoel de Barros. 
- O que foi?
- O que foi? Estou te ligando a 2 dias.
- Engraçado, o mesmo tempo que eu estou te ignorando.
The Vampire Diaries. 
Que a minha loucura seja perdoada, pois metade de mim é amor e a outra metade também.
Oswaldo Montenegro.
Parece que recebo mais felicidade entre quatro paredes do que no meio das pessoas. Para mim, nunca foi difícil ficar sozinho. Sempre foi melhor. Era algo natural. Sou como esses animais que cavam buracos, é meu instinto. Quando estou só, recarrego a bateria, construo. Já fui deprimido, suicida, mas nunca fui um solitário. Ser só significa que outra pessoa pode resolver seus problemas. Eu precisava era de mim mesmo.
Charles Bukowski.  (